quarta-feira, 25 de março de 2009

* * *

Prontas para sair da quinta quando o relógio bate as dez horas da noite. No caminho que separa a quinta do casebre havia uma pequena distância que as mulheres transpuseram em poucos minutos. Quando chegaram ao casebre, este estava circundado por pessoas de todas as aldeias e vilas mais próximas que ali se deslocaram para velar o corpo de Maria José.
Isabella ao ver toda aquela gente fica pasmada, pois nunca ela tinha visto um velório e nem mesmo feito ideia. Lá dentro, numa sala havia uma mesa ao centro, onde estava o corpo que ela procurava com os olhos por toda a parte. Ao chegar junto do corpo olha a rosto já desfigurado da irmã e diz-lhe baixinho:
__ Mana pareces dormir! E estás linda vestida de noiva! Lá no céu para onde vais, não há maldade, nem ódio, nem tão pouco gente má. Lá no céu, mana, só entram os bons. Mana! Mana nunca mais te vejo! Mana tu mataste a tua vida por causa do pai? Pai malvado, mana! Grande tirano! Assassino! Assassino, tirano! Mana quando eu crescer hei-de vingar-te.
João Reis que estava sentado no leito do quarto ao lado ouviu o pranto de Isabella e mandou imediatamente a Teresa ir chamá-la.
__ Isabella vai já dentro ai pai que ele quer falar-te.
__ Sim irei! Tu vai dizer ao pai que irei __ respondeu Isabella com alta voz como se não tivesse medo do pai. E logo de seguida afasta-se do corpo da irmã e caminha em direcção ao quarto onde o pai se encontra. Este diz-lhe:
__ Isabella, que estás para ai a dizer? Olha que o vergalho com que bati na tua irmã ainda não se estragou!
__ O que quer dizer pai? Olhe que eu não sou como a mana. A mim o pai não me mata porque além de eu ter os meus avós, não sou tão boa como ela. A mim podia o pai fazer o corpo negro, como fez à mana, mas havia de pagar por isso __ ao dizer as últimas palavras, Isabella sai do quarto de cabeça erguida.
Quando as pessoas a vêem sair do quarto olham-na admiradas e comovidas pelas suas palavras.
Isabella, como que impelida por uma mola, caminha em direcção ao caixão que se encontra no centro da sala. Ao chegar junto deste diz:
__ Mana, adeus! Eu vou-me embora porque já não precisas de mim. Amanhã estarei à tua espera quando passares à quinta e, irei contigo até à tua última morada.. Mas aqui a esta casa nunca mais voltarei, mana.
Acabadas as palavras, Isabella sai da casa dos pais apenas com uma ideia. Não mais lá voltar.

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Acerca de mim

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Tenho bom coração, bom carácter, gosto da humanidade em geral, gosto de crianças... diversão: gosto de ler, de escrever, conviver, gostava de ter amigos verdadeiros, como divorciada não gostava de envelhecer sozinha, estou em casa sempre que não trabalho... e gostava de ser mais feliz... encontrar alguém para amar e fugirmos à monotonia.