sábado, 31 de janeiro de 2009

* * *

Ao toque do despertador Isabella acorda sobressaltada. Ainda ensonada chama a avó e pergunta-lhe: _ Avozinha já são sete horas?
_ Sim. O despertador estava marcado para despertar às sete horas. E se despertou...
A senhora D. Isabel levanta-se da cama, olha o despertador que está em cima da mesinha-de- cabeceira e, diz: _ Sim. São sete horas e dez minutos. Levanta-te.
_ Estou com tanto sono! E doem-me tanto os olhos que nem os posso abrir.
_ Olha querida se quiseres fica hoje em casa. Amanhã logo vais trabalhar.
_ Não. Não posso, eu vou trabalhar hoje.
_ Então levanta-te já.
Já na fábrica Isabella trabalhava no seu lugar habitual quando o alto-falante chama: "Atenção! Menina Isabella Reis venha ao telefone".
_ Estou sim! Quem é?
_ Isabella! Sou eu, Alexandre.
_ Ah! É você Alexandre? Como está de saúde?
_ Eu estou bem. E tu?
_ Eu estou muito bem. Obrigada.
_Olha, eu cheguei hoje de viagem e vou aí. Estás a ouvir-me?
_ Sim. Estou a ouvi-lo...
_ Sabes? Eu gostava que fosses à estação dos caminho de ferro à minha espera. Quero muito falar contigo. Não recebeste as minhas cartas?
_ Recebi...
_ Então... E porque não respondeste? Tá? Tá? Isabella.
_ Sim. Estou...
_ Pronto não digas nada. Falaremos depois. Eu chego aí à manhã às três horas da tarde. Adeus!
_ Adeus!

No dia seguinte antes das três horas da tarde Isabella estava na estação dos caminhos de ferro quando o comboio chega. Alexandre com os olhos postos em todas as pessoas que esperavam o comboio, desceu e ao vê-la corre para ela. Sem querer os dois abraçam-se no meio das pessoas. Estas olham com admiração.
_ Como estás? _ pergunta o rapaz ao olhá-la.
_ Eu estou bem. _ diz Isabella sorrindo.
_ Anda vamos embora. Vais para casa?
_ Não. Eu vou trabalhar. Eu estava a trabalhar, mas pedi à mestra para sair.
_ Ah! Então eu vou para casa. E posso ir logo esperar-te à saída?
_ Pode.
_ Sabes? Eu tenho um presente para ti.
_ Sim. O que é?
_ É veludo para fazeres um vestido.
_ Ah!
_ É bonito. Eu creio que vais gostar.
_ Talvez. Mas para que se incomodou?
_ Por nada. Mas não falemos mais nisso. Sim?_ Pede o rapaz meigamente enquanto aperta os dedos de Isabella que tem entre os seus.
Ao chegarem junto ao portão da fábrica separam-se.

Dias depois:
_ Alexandre que embrulho é este que está aqui em cima da mesa? _ Pergunta a mãe de Alexandre apontando o embrulho com o dedo.
_ É uma lembrança para uma pessoa amiga.
_ E quem é essa pessoa amiga? Posso saber?
_ Pode. Mas só quando eu pensar dizer-lhe.
_ Ah! Queres dizer que tens segredos para a tua mãe?
_ É isso mesmo - responde Alexandre enquanto se afasta.
_ Ah sim! Estou a compreender. Quem será a marota? _ interroga a mãe, mas o filho já não a ouve.
_ Olá Marta! Nem falas, isso é porque tens cá o teu irmão?
_ Não. Que ideia? Não reparei em ti. Desculpa Paula!
_ Então, porque não foste ao baile no domingo?
_ Ora. Porque meu pai não me deixou ir. E eu também não tinha vestido novo para o concurso.
_ O baile estava bom. E os prémios foram óptimos.
_ Tu ganhaste algum?
_ Não. Não quis concorrer.
_ Não quiseste concorrer ou não arranjaste par?
_ Não. Arranjei muitos pares, mas não quis...
_ Estou mesmo a ver.
_ Está a ver o quê?
_ Nada. Esquece...
_ Foi pena não teres ido! - exclama Paula sorrindo.
_ Porquê?
_ Porque ias ver Isabella com um lindo vestido.
_ Ah, sim?
_ E a melhor, ainda tu não sabes.
_ O quê? Não me vais dizer que ela foi a rainha?
_ Isso mesmo. Foi a rainha e nem só. Ganhou todos os primeiros prémios.
_ Ah sim? E quem foi o par dela?
_ O par dela foi o Rui Pedro.
_ O Rui Pedro? O irmão da Margarida?
_ Sim. Esse mesmo. E a Margarida também concorreu e ganhou o segundo lugar do segundo prémio.
_ Ah sim? Tenho de dizer ao meu irmão.
_ Dizer ao teu irmão, porquê? Eles namoram-se?
_ Não. Mas ela gosta dele e, ele também gosta dela.
_ Ah!
_ Mas a Isabella dançar com o Rui Pedro é que não me esqueço.
_ Mas porquê?
_ Por nada.
_ Ah! Tu gostas dele? Pois aguenta menina que, se calha, já te o roubou.
_ Não digas disparates. O Rui Pedro não ia gostar dela.
_ Porquê? Ela não é engraçada? Só te digo que eles fazem um lindo par.
_ Cala-te. Vou-me embora. Adeus!
_ Adeus!
As duas amigas e vizinhas separam-se. A Marta vai para casa e a Paula vai à Quinta Silva com o pretesto de ir comprar ovos. Ao entrar no portão, chama: Isabella! Isabella!
_ Estou aqui. Entra...
_ Olá. Bom-dia!
_ Bom-dia Paula. Queres alguma coisa?
_ Sim quero. Tens ovos?
_ Não. Não temos para vender.
_ Parabéns Isabella. Tu ias muito bonita. E o teu vestido foi o mais lindo do baile.
_ Achas que sim?
_ Acho...
_ Foi pena. Eu não queria ganhar. E nem ir ao baile, mas a minha avó... tu sabes como foi.
_ Sim a tua avó contou à minha mãe.
_Ah, mas assim foi melhor. Ganhaste todos os primeiros lugares e dançaste com o rapaz mais elegante do baile.
_ O Rui Pedro?
_ Sim. Mas quem não está contente é a Marta.
_ Porquê?
_ Porque lhe foram dizer que tu dançaste com ele toda a noite.
_ Só dançei as músicas do concurso.
_ Claro, eu vi... disse-lhe, mas ela não acreditou em mim. E está furiosa contigo.
_ Ela namora com ele?
_ Namora.
_ Mas eu não sabia.
_ Então diz-lhe isso, a ela.
_ Olá Paula! Estás boa? E como está a tua mãe? _ Pergunta D. Isabel ao chegar junto delas.
_ Eu estou bem. Obrigada! E a minha mãe, também está boa.
_ Adeus! Paula, dá cumprimentos à tua mãe. Isabella não te demores. O almoço está na mesa.
_ Sim avozinha. Não me demoro. Adeus Paula.
_ Adeus Isabella até logo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

* * *

Depois do almoço a senhora D. Isabel vai para a cozinha lavar a louça e Isabella saiu para a rua. Estava tão distraída a olhar com tanta atenção para uma trepadeira que não deu por chegar, junto dela, Alexandre que lhe diz: _ Olá! _ Assustada Isabella voltou-se na direcção da voz. E pronunciou: _ Olá! Como chegou aqui? Eu não dei por chegar...
_ Não? Eu cheguei agora mesmo.
_Ah!
_ Isabella pega. É o veludo _ diz o rapaz passando o embrulho para as mãos da rapariga.
_ Obrigada!
_ De nada. Eu quero ver-te com o vestido antes de sair para a viagem.
_ E quando vai viajar?
_ Estou de férias um mês.
_ Está bem. Eu vou começar a costurá-lo para a semana.
O rapaz olha-a com admiração e pergunta-lhe: _ Isabella, não tens trabalhado nestes dias?
_ Não. Não tem havido peixe...
_ Pois. Eu tenho ido todos os dias à tua espera e nunca mais te vi a partir daquele dia que nos encontrámos.
_ Claro, eu não tenho ido.
O rapaz recioso pergunta: _ A tua avó está em casa?
_ Está na cozinha a lavar a louça.
_ Ela não vai ralhar comigo, por eu estar aqui?
_ Não sei!
_ Olha meu amor. Eu quero falar com a tua avó, mas prepara-a tu primeiro.
_ Para quê?
_ Para quê, Isabella! Então nós não nos amamos?
_ Eu ainda não lhe disse que sim.
_ Claro. E então? O que me vais dizer? Sim ou não?
_ Ainda não pensei!
_ Eu...
O rapaz ai para falar, mas ao olhá-la nos lábios puxa-a para si e beija-a nos lábios rubros e palpitamtes.
_ Alexandre! A minha avó... deixe-me! Eu grito.
_ Meu amor querido, a tua avó não nos viu.
_ Mas podia nos ter viste. Vá embora! Não o quero ver mais.
_ Meu amor perdoa-me! Perdoas-me Isabella?
_ Não.
Dizendo as últimas palavras Isabella deixa-o e vai para casa. Alexandre triste, de cabeça baixa, volta também para sua casa. Ao entrar em casa vai direito ao seu quarto e resolve escreve uma carta.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

* * *

***

D. Emília chega da cidade e ao passar pela janala de D. Beatriz, Paula a cumprimenta: _ Boa tarde D. Emília, como está?
_ Eu estou boa. E tu como estás?
_ Muito bem. Obrigada!
_ Adeus... até logo.
A mulher preparava-se para andar, mas a intrigista acrescenta: _ D. Emília, o seu filho parece que está doente.
_ Doente o meu filho! Porque dizes isso?
_ Porque ele há pouco subiu à quinta de Isabella com um embrulho e logo depois desceu para casa e parecia abatido.
_ Um embrulho?
_ Sim.
_ Eu vou já saber.
Ao chegar a casa a mulher vai ao quarto do filho. Ao ver este pergunta-lhe: _ Que tens?
_ Nada. _ responde o rapaz e continua a escrever.
_ Para quem era o embrulho?
_ Qual embrulho mãe?
_ Não te faças de desentendido. Eu sei para quem o levaste.
_ Então se sabe porque pergunta?
_ Para ouvir da tua boca.
_ Pois sim, levei-o para Isabella. E então... tem alguma coisa a dizer?
_ Não. Tenho a perguntar.
_ Então pergunte...
_ Eu não sabias que falavas para ela.
_ Não? Então agora fica a saber... não só falo para ela, como gosto dela.
_ Tu?
_ Sim! A minha mãe não me acha digno?
_ E ela?
_ A minha mãe está a perguntar se ela gosta de mim?
_ Sim... se ela gosta de ti?
_ Não sei!
_ O que continha o embrulho?
O rapaz já zangado de tanta pergunta, Gritou: _ Nada. O embrulho não continha nada. Deixe-me só!

Acerca de mim

A minha foto
Tenho bom coração, bom carácter, gosto da humanidade em geral, gosto de crianças... diversão: gosto de ler, de escrever, conviver, gostava de ter amigos verdadeiros, como divorciada não gostava de envelhecer sozinha, estou em casa sempre que não trabalho... e gostava de ser mais feliz... encontrar alguém para amar e fugirmos à monotonia.