sábado, 14 de março de 2009

* * *

A aldeia Luís Francisco é uma aldeia que fica numa encosta fronteira a uma bela planície de onde se vê todo a aldeia e vice-versa. É Primavera. A planície está linda cheia de flores de todas as cores. Ao fundo da planície fica uma quintarola habitada por uma mulher viúva e a neta.
A dita quintarola é alvo de relevo, sobre o qual, Alexandre não desvia o seu olhar desde aquela manhã em que vi Isabella pela primeira vez.
"Há oito dias que não a vejo. Não estará em casa?" pensa consigo o rapaz.
Passaram-se mais dois dias. O rapaz vai à janela do seu quarto e, de repente: "Há, mas o que vêem os meus olhos? É ela. Há! Mas como está graciosa e que esbelta figura! Meu Deus será que estou a sonhar? Não! Não! Não é sonho __ acrescenta Alexandre enquanto abana a cabeça e leva as mãos aos olhos num gesto de certificação ao seu estado de repouso. Não ! Não! Eu estou bem acordado __ exclama.
Num impulso fecha a janela. Corre ao quintal nas traseiras da casa para fazer a barba. Veste a sua toilette preferida e, sai para a rua em direcção à planície onde se encontra Isabella.
Àquela hora da manhã, não havia ninguém na rua. De contrário tinham sido testemunhas do agitado caminhar de Alexandre que a muito custo disfarçava a sua ansiedade.
Alexandre era um rapaz de vinte e cinco anos de idade, de cabelo loiro, olhos cinza claros, de estatura esbelta e vestia à moda da América.
__ Olá Isabella __ cumprimenta ele enquanto respira de alívio por ter chegado a tempo de lhe falar.
__ Olá como está? __ Perguntou Isabella enquanto desfolhava uma a uma, as pétalas de um malmequer.
__ Eu estou bem Isabella... agora.
__ Eu também estou bem. Obrigada!
Ambos se calaram depois dos cumprimento feitos um ao outro. E, lado a lado, os seus olhos se cruzaram em silêncio. O canto de um rouxinol veio quebrar o encontro daquele encantado silêncio.
__ Tão bem que canta o rouxinol, nunca o tinha ouvido cantar antes __ admira o rapaz em gesto de contemplação.
__ Eu sim tenho-o ouvido cantar muitas vezes. Deve ter o ninho aqui por estas bandas __ acrescenta Isabella.
__ A tua avó está em casa? __ Pergunta Alexandre mudando de assunto.
__ Sim está. Porquê?
__ Ela não te vai ralhar se te vir aqui comigo?
__ Não sei! Talvez não. Porque pergunta?
__ Perguntei só por perguntar. E costumas vir para aqui muitas vezes?
__ Sim. Quando não tenho trabalho ou quando estou cansada de estar sentada à máquina.
__ Ah! Queres dizer que trabalhas, estudas e costuras à máquina?
__ Sim. E o senhor o que faz?
__ O que é que eu faço? Corro à volta do Mundo. Estou embarcado em navios de longo-curso. Já alguma vez ouviste falar? E sabes uma coisa? Nunca vi olhos mais belos que os teus. Sim Isabella... nunca vi __ acrescenta o rapaz com ar sério.
Neste momento Alexandre não olhou o rosto de Isabella, senão teria visto a cor escarlate das maças do seu rosto.
__ Sim já ouvi falar, mas muito pouco. E agora, o navio está em terra?
__ Sim é isso... o navio está em terra ou melhor, atracado no cais de Alcântara.
__ Em Lisboa?
__ Sim, em Lisboa.
__ Ah!
__ Ah! Porquê ?
__ O senhor é então irmão da Marta? __ Pergunta Isabella disfarçando.
__ Sim sou. Tu conheces a Marta?
__ Conheço. E até somos amigas.
__ Sim , sim. Estou a ver __ pronuncia Alexandre à toa.
__ Está a ver... porquê?
__ Por nada...
__ Ah!
__ Isabella, tu não tens namorado? Vá não é preciso corar. Tens namorado?
__ Não senhor.
__ Não me trates por senhor. Eu chamo-me Alexandre.
__ Não Alexandre __ pronuncia Isabella e vai para lhe dizer adeus, mas o rapaz segura-a pelo braço.
__ Não... fica! Eu quero falar contigo. Quero dizer-te que gosto de ti.
__ É só isso? Então já disse. Agora vou embora.
__ Não. Eu ainda não disse tudo. Quero que sejas minha namorada __ acrescenta Alexandre pausadamente.
__ E só porque gosta de mim tenho de ser sua namorada?
__ Não. Não é só por isso. É porque eu, além de gostar de ti te amo.
__ Não, não diga isso. E de mais eu sou muito nova e ainda não penso namorar.
__ Queres dizer que ainda nunca namoraste?
__ Sim. Quero dizer que nunca namorei, nem penso nisso.
__ Pois, Isabella, mas é altura de começares a pensar nisso...
__ Sim? E porque havia de ver?
__ Ora porquê? Porque és uma bela rapariga e não és tão nova como pensas.
Isabella sorri. E continuando prisioneira, pede:
__ Alexandre deixe o meu braço por favor.
__ Sim Isabella , mas por favor dá-me esperanças.
Sem esperar resposta, o rapaz puxa para si o corpo esbelto e trémulo de Isabella e, sem uma palavra beija-a nos lábios grossos e rubros onde jamais alguém havia beijado. Quando a deixa olha-a com carinho e exclama:
__ Perdoa-me! Eu não queria beijar-te, mas o amor que tenho por ti é já tão grande, que...
Sem acabar a frase volta a beijá-la. Desta vez com um beijo mais prolongado.
__ Amo-te! Amo-te muito, Isabella.
__ Alexandre! Solte-me ou grito...
__ Não, meu amor. Tu não vais gritar porque eu vou soltar-te dos meus braços.

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Acerca de mim

A minha foto
Tenho bom coração, bom carácter, gosto da humanidade em geral, gosto de crianças... diversão: gosto de ler, de escrever, conviver, gostava de ter amigos verdadeiros, como divorciada não gostava de envelhecer sozinha, estou em casa sempre que não trabalho... e gostava de ser mais feliz... encontrar alguém para amar e fugirmos à monotonia.