quinta-feira, 26 de março de 2009

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Na quinta-feira, 19 de Agosto, o dia estava escaldante. Isabella tratava do jardim quando uma mulher chega à quinta com a notícia. A triste notícia de que a Maria José estava morta. Morta e pendurada numa amendoeira junto ao areeiro. Isabella quando ouviu as últimas palavras da mulher correu pela propriedade fora e subindo e descendo muros chegou à quinta dos Barros. Ao chegar junto do areeiro, como louca grita:
__ Oh mana! Mana! Oh mana! Onde estás? Responde-me. Não me ouves? Oh, meu Deus não pode ser verdade __ pensa Isabella e volta a chamar a irmã. __ Mana, responde. Não me ouves? Ma...na. Ma...na...
Isabella caiu desmaiada aos pés da irmã. E antes que alguém tivesse tempo de a segurar ela rebola para dentro do areeiro. O areeiro tinha uma altura bem considerada. As pessoas que estavam junto da amendoeira desceram para a ir buscar e logo foi levada em braços para casa.
José da Silva que tinha acabado de chegar da vila onde ia todos os dias com a filha, a senhora D. Judite, para esta receber tratamento fica surpreendido quando vê chegar em braços a sua neta Isabella. Assustado corre para esta que continua desmaiada. O homem sem saber o que se passa, olha os dois homens que tem na sua frente e, pergunta:
__ Manuel! António! Que se passa? Que aconteceu à minha neta?
Os homens olharam-se entre si como a certificarem-se da grande tragédia que atingia aquela família. Por fim, um deles diz:
__ Senhor José, a menina Maria José pôs termo à vida. E o Senhor dos Barros mandou cá à Quinta uma mulher dar a notícia e, a mesma foi dada à menina Isabella e então ela correu para junto do corpo da irmã. Quando viu o corpo da irmã chegou junto dele e caiu desmaiada robolando para dentro do areeiro. Nós a fomos buscar e trazêmo-la para casa.
José da Silva fica pálido, imóvel. Quando recupera pega na neta ao colo, ao mesmo tempo que, pergunta aos caseiros da Quinta dos Barros:
__ Mas quando aconteceu isso? E porque havia essa mulher de dar uma notícia dessas a uma criança, se havia tanta gente adulta cá na Quinta? Mas que falta de tacto! Mas diz-me Manuel, como foi que a minha neta Maria José pôs termo à vida? E o pai dela, onde está? Ele ainda não sabe?
O homem parecia louco só fazia perguntas, umas atrás das outras e, entre as quais não deixava intervalos para que os homens pudessem responder. Só quando chega a Senhora D. Isabel, ele pára de fazer perguntas. Esta, porém, perplexa pergunta:
__ O que se passa? Aconteceu alguma coisa?
__ Sim, minha Senhora __ respondeu um dos caseiros e acrescentou. __ A menina Maria José está pendurada numa amendoeira junto ao areeiro.
__ Que me diz, Senhor Manuel? A minha neta está pendurada?! __ Pergunta aflita a senhora D. Isabel. __ Mas por favor, explique-se!
O homem voltou a dizer:
__ Sim. Pendurada. Morta.
A Senhora D. Isabel olhando para o marido e para os dois caseiros da Quinta vizinha, volta a perguntar:
__ A minha neta Maria José está morta? Não. Não é verdade. José diz-me que não é verdade. Meu Deus que grande desgraça. E à Isabella que foi que lhe aconteceu para ela estar desmaiada?
O homem que continuava com a neta nos braços correu para casa para a deitar. A mulher de cabeça baixa e de lágrimas nos olhos segue o marido até ao quarto da neta.
Passado algum tempo quando esta volta a si vê a avó no seu quarto e, exclama:
__ Avozinha tive um sonho horrível!
A avó interrompeu-a dizendo:
__ Não minha filha, não foi sonho! Não! Não gritos. Temos de ser fortes por causa da tua mãe. Ela está cá e só vai para casa depois do funeral. E ela minha querida, não pode saber da morte da tua irmã, porque está muito doente. Portanto temos de ser fortes. Prometes ser forte?
__ Sim, avozinha, prometo. Mas eu quero ver a minha irmã.
__ Sim iremos vê-la logo à noite __ diz a Senhora D. Isabel com grande tristeza.
A notícia correu de boca em boca. Todas as pessoas: homens, mulheres e crianças choraram lágrimas de dor pela morte daquela rapariga que sempre conheceram como amiga.

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Tenho bom coração, bom carácter, gosto da humanidade em geral, gosto de crianças... diversão: gosto de ler, de escrever, conviver, gostava de ter amigos verdadeiros, como divorciada não gostava de envelhecer sozinha, estou em casa sempre que não trabalho... e gostava de ser mais feliz... encontrar alguém para amar e fugirmos à monotonia.