quarta-feira, 1 de abril de 2009

CAPÍTULO V - O PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

Naquele ano a indústria conserveira no fim do defeso abriu inscrições para aprendizes. A Senhora D. Inescença logo que soube inscreveu a filha. Esta que era amiga de Maria José correu a dizer-lhe.
__ Maria José, sabes? A minha mãe inscreveu-me na fábrica onde ela trabalha. Tu também queres ir trabalhar comigo?
Maria José e sua amiga Maria Augusta logo começaram a fazer projectos. As duas pediram à Senhora D. Judite que falasse ao pai de Maria José, nas inscrições. Este deu o seu consentimento embora de contra vontade.
Ao fim de poucos dias podíamos vê-las de avental de grandes folhos, lenço branco na cabeça e nos pés graciosas tamancas.
Todos os dias da semana e mesmo alguns domingos Maria José trabalhava na indústria e por essa razão não ajudava a madrasta na lida da casa.
No fim da temporada, com a chegada do defeso, a fábrica parou. Maria José que não via a sua irmã Isabella havia muito tempo foi à Quinta das Rosas visitá-la. Isabella ao ver chegar a irmã ficou radiante e alegremente exclamou:
__ Olá mana! Estou muito contente em te ver. Hoje não foste trabalhar para a fábrica?
__ Não. Hoje não há trabalho __ respondeu Maria José. __ E tu também não vais hoje para a costura?
__ Não __ responde Isabella.
__ Então podemos conversar. Eu tenho novidades para ti __ diz Maria José.
As duas irmãs sentaram-se no alpendre da casa. Maria José olha em redor como a certificar-se que estão sós. Antes de dar a novidade à irmã pergunta:
__ Isabella conheces o primo da tua mestra? O Joaquim Elias.
Isabella fica pensativa: olha a irmã e responde:
__ Sim. Conheço, porque me perguntas?
__ Ora. Porque ele disse-me que gostava de mim e eu conheço-o mal. Gostava que me desses a tua opinião. Mas não quero que digas a ninguém. Está bem?
__ Não. Não digo a ninguém podes ficar descansada, mas conta-me tudo.
Maria José em poucas palavras conta à irmã o que aconteceu. Esta ainda muito nova, mas compreensiva promete mais uma vez guardar segredo.
Estavam tão entretidas com a conversa que quando olharam o relógio eram já cinco horas da tarde. Maria José receosa que o pai chegasse a casa antes dela despediu-se apressadamente da irmã dando-lhe o recado da mãe que, com a conversa, havia esquecido.
__ Isabella a nossa mãe manda pedir que vás lá a casa amanhã.
__ Está bem. Tu diz à mãe que irei __ respondeu Isabella apressadamente.
Quando fica só Isabella pergunta a si mesma o que quererá sua mãe, para a mandar chamar, mesmo no dia do seu aniversário?
No dia seguinte foi visitar a mãe. E o que foi que seus olhos viram? Um lindo bebé. E o mais emocionante é que esse bebé era seu irmão que, nasceu mesmo no dia do seu aniversário. Melhor no dia que ela fez 11 anos. E como ele era pequenino e tão querido. Isabella já não o queria deixar. Queria levá-lo para sua casa. Pois não tinha sido um presente de aniversário que Deus lhe havia mandado? Sim era um presente! __ pensou Isabella, mas não o podia levar, porque ele era tão pequenino e tinha de ficar junto de sua mãe.
A Senhora D. Judite ao ver a filha tão entusiasmada com o bebé pergunta:
__ Isabella gostas do teu irmãozinho?
Isabella olha a mãe e muito satisfeita responde:
__ Sim mãe é lindo o meu irmãozinho. Como se vai chamar?
A mãe pensa um pouco e responde-lhe:
__ Ainda não te sei dizer, filha, mas assim que escolhermos o nome para ele, eu digo-te. Está bem?
Isabella não deixa de olhar o bebé e pede à mãe para o deixar pegar ao colo. A mãe pega no bebé e passa-o para o colo de Isabella que o pega com todo o carinho.

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Tenho bom coração, bom carácter, gosto da humanidade em geral, gosto de crianças... diversão: gosto de ler, de escrever, conviver, gostava de ter amigos verdadeiros, como divorciada não gostava de envelhecer sozinha, estou em casa sempre que não trabalho... e gostava de ser mais feliz... encontrar alguém para amar e fugirmos à monotonia.